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Foto da internet no cardápio? O risco jurídico que muitos restaurantes ignoram

Blog MenuOnGo · Atualizado em

A história costuma ser a mesma. O cardápio novo precisava de uma foto da parmegiana, ninguém tinha fotografado ainda, e alguém (o dono, o sobrinho que cuida do Instagram, o designer que fez a arte) pesquisou no Google, achou uma foto bonita e usou.

Meses depois, chega uma notificação de um fotógrafo ou de um escritório de advocacia pedindo indenização. Para muitos, é a primeira vez que ouvem falar de direito autoral sobre foto de comida.

Prato servido sobre um cardápio em uma mesa de restaurante

“Estava no Google” não é autorização

O Google Imagens é um índice de busca, não um banco de imagens liberadas. Ele mostra onde a foto está; não dá a ninguém o direito de usá-la. O mesmo vale para a foto do blog de receitas, do site de outro restaurante, do Pinterest ou do portfólio de um fotógrafo.

A Lei 9.610/1998, a Lei de Direitos Autorais, protege expressamente as obras fotográficas (art. 7º, VII) e diz que pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre o que ele criou (art. 22). Para usar uma obra, é preciso autorização prévia e expressa do autor (art. 29) (Lei 9.610/1998).

E há um ponto que surpreende muita gente: a foto que o cliente tirou do seu prato pertence ao cliente. O prato é seu, a mesa é sua, mas a fotografia é dele. Repostar no cardápio ou nas redes sem pedir é, legalmente, outra coisa que ficar lisonjeado com o post.

O que a Justiça já decidiu

O Superior Tribunal de Justiça julgou em 2023 o caso de um fotógrafo profissional cujas fotos foram usadas por uma agência de viagens no Facebook e no site, para divulgar pacotes, sem autorização, pagamento ou crédito. O tribunal entendeu que o uso comercial sem autorização violou tanto os direitos patrimoniais quanto os morais do fotógrafo, caracterizando contrafação, e lembrou que quem deixa de identificar o autor deve divulgar a autoria e pode responder por danos morais (art. 108 da lei) (REsp 1.831.080-SP, Informativo 793 do STJ).

O caso não era de restaurante, mas o raciocínio vale para qualquer negócio: cardápio, site e Instagram são uso comercial. Apagar a foto depois da notificação não apaga o uso que já aconteceu.

Fotógrafo filmando um hambúrguer na vertical sobre uma mesa de madeira

Além da lei: o problema de mostrar um prato que não é o seu

Mesmo que a foto fosse liberada, há outro risco. A imagem de um prato que não é o seu cria uma expectativa que a sua cozinha não entrega. O cliente pede a lasanha da foto e recebe outra. O Código de Defesa do Consumidor proíbe publicidade enganosa (art. 37), e, na prática, a decepção vai parar numa avaliação ruim antes de chegar ao Procon.

Como montar um cardápio com imagens seguras

  1. Fotografe os seus próprios pratos. É o caminho mais seguro e o mais honesto. Um celular e luz de janela resolvem; veja o nosso guia de fotos e vídeos para o cardápio.
  2. Se usar banco de imagens, leia a licença e guarde o comprovante. “Grátis” não significa “sem regras”: algumas licenças proíbem uso comercial ou exigem crédito.
  3. Peça autorização por escrito ao cliente antes de usar a foto que ele postou. Uma mensagem com “posso usar?” e a resposta “pode” já ajudam.
  4. Exija cessão de direitos no contrato com fotógrafo, designer ou agência. Se o prestador usou uma foto irregular, quem recebe a notificação é o restaurante.
  5. Faça uma auditoria uma vez por ano. Cardápio, site, Instagram, Google: de onde veio cada imagem?
  6. No vídeo, cuidado com a música. A trilha também tem direitos autorais.

Fotos e vídeos seus, em um só lugar

No MenuOnGo, cada prato pode ter a sua foto em todos os planos, inclusive no gratuito, e trocar uma imagem leva segundos, o que ajuda muito na hora de substituir uma foto de origem duvidosa. No plano Pro, os pratos ganham também vídeo curto e você monta campanhas com vídeo, para mostrar o prato real, gravado na sua cozinha. Para ser claro sobre os limites: o MenuOnGo não fornece banco de imagens. As fotos e os vídeos do seu cardápio são os que você coloca nele, e garantir os direitos sobre eles é responsabilidade sua. Teste o vídeo grátis por 30 dias, sem cartão, começando pelos oito pratos que você mais quer mostrar.

Pratos servidos ao lado de um cardápio impresso sobre a mesa

De onde vêm as fotos do cardápio, e o risco de cada uma

Origem da foto Risco jurídico Observação
Foto ou vídeo feito por você Muito baixo Cuidado só com música de terceiros no vídeo
Banco de imagens com licença guardada Baixo Leia se permite uso comercial
Banco “grátis” sem ler a licença Moderado Depende dos termos
Foto copiada do Google Imagens Alto Busca não é autorização
Foto de cliente repostada sem pedir Moderado a alto O autor da foto é o cliente
Foto entregue por prestador sem cláusula de cessão Alto A notificação chega no restaurante
Foto de prato que não é o seu Alto Direito autoral e risco de publicidade enganosa

O contraponto honesto

Nem toda notificação termina em processo, e nem toda foto encontrada na internet tem um dono disposto a cobrar. Mas o risco é real, cresce com o tempo de uso e é totalmente evitável. Uma tarde fotografando os próprios pratos custa menos do que qualquer acordo. Se você recebeu uma notificação, retire a imagem, guarde registros de onde e quando ela foi usada e procure um advogado antes de pagar ou responder.

Perguntas frequentes

Posso usar foto da internet no cardápio do meu restaurante? Em regra, não sem autorização. A Lei 9.610/1998 protege as fotografias e exige autorização prévia e expressa do autor para o uso. Encontrar a foto no Google não dá direito de usá-la.

Posso repostar a foto que um cliente tirou do meu prato? Só com permissão. Quem tira a foto é o autor dela, mesmo que o prato seja seu. Peça autorização por escrito, por mensagem, antes de usar no cardápio ou nas redes.

O que acontece se eu usar uma foto sem autorização? O autor pode pedir indenização por danos materiais e morais. Em 2023, o STJ reconheceu violação de direitos patrimoniais e morais no uso comercial não autorizado de fotos nas redes e no site de uma empresa (REsp 1.831.080-SP).

Banco de imagens gratuito é seguro para cardápio? Pode ser, desde que a licença permita uso comercial e você guarde o comprovante. Leia os termos: alguns bancos exigem crédito ou limitam o tipo de uso.


Fontes: Lei nº 9.610/1998, Lei de Direitos Autorais (Planalto); Superior Tribunal de Justiça, REsp 1.831.080-SP, Informativo nº 793 (via Damásio Jurisprudência); Lei nº 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor, art. 37. Imagens: Pexels (uso gratuito). Conteúdo atualizado em outubro de 2026. Este texto não é orientação jurídica.

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